Manifesto do FNArq sobre o novo Diretor e a situação do Arquivo Nacional

FNArq AO Fórum Nacional das Associações de Arquivologia do Brasil – FNArq, colegiado que tem como finalidade, em regime de colaboração, congregar, coordenar e representar com autonomia os interesses das Associações de Arquivologia, atua em âmbito nacional perante as instituições competentes da sociedade. O FNArq é composto por associações de Arquivologia do Brasil, juridicamente estabelecidas, representadas por membros efetivos de suas diretorias, tendo sido oficialmente criado durante o VI Congresso Nacional de Arquivologia, ocorrido em outubro de 2014, em Santa Maria – RS.

O FNArq, ao defender os interesses e apoiar as reivindicações dos profissionais de Arquivo, vem por meio do presente manifesto demonstrar sua preocupação em relação à indicação do Dr. José Ricardo Marques para o cargo de Diretor Geral do Arquivo Nacional, em substituição ao Historiador e Arquivista, Professor Jaime Antunes da Silva.

Embora consideremos salutar a mudança de comando da Instituição, uma vez que há tempos esperamos por mudanças pertinentes ao campo dos arquivos que estão sob a égide do Arquivo Nacional, nos causa estranheza o fato da substituição de um diretor de cunho técnico e conhecedor da área, com relativa afinidade e envolvimento com a academia, com as associações profissionais e os eventos das mais diversas ordens, tanto no Brasil quanto no exterior, por uma pessoa sem qualquer inserção no universo arquivístico.

Além disso, o Diretor-Geral do Arquivo Nacional, a mais importante instituição arquivística do país, exerce a função de presidente do Conselho Nacional de Arquivos – CONARQ. “O Conselho Nacional de Arquivos – CONARQ é um órgão colegiado, vinculado ao Arquivo Nacional do Ministério da Justiça, que tem por finalidade definir a política nacional de arquivos públicos e privados, como órgão central de um Sistema Nacional de Arquivos – SINAR, bem como exercer orientação normativa visando à gestão documental e à proteção especial aos documentos de arquivo” Portanto, as ações do Arquivo Nacional têm impacto na gestão documental de todas as instituições e organismos da esfera pública, além de ser o órgão responsável pela gestão estratégica das informações contidas nos documentos de arquivo da esfera federal, e pela preservação da memória da sociedade brasileira. Ressalte-se que o Arquivo Nacional, por meio do Sistema de Gestão de Documentos de Arquivo da Administração Pública Federal – SIGA, regulamenta através de suas Resoluções e Instruções Normativas toda a gestão de documentos da administração pública federal, o que impacta no acesso à informação, nas ações de transparência, e na preservação da memória produzida e custodiada pelos órgãos públicos brasileiros.

Cabe enfatizar que toda a ação relacionada à Gestão Documental visa atender aos preceitos da Lei nº 12.527/2012, a Lei de Acesso à Informação – LAI, uma vez que estas ações são basilares para o atendimento da mesma.

Com o retorno do Arquivo Nacional ao Ministério da Justiça em 2011, foi realizada uma grande campanha que mobilizou instituições profissionais, estudantis, acadêmicas e científicas, que alcançou a adesão de mais de 3.000 pessoas por meio de petição pública online contra a medida. Graças à mobilização e sugestão do movimento da classe arquivística, ainda naquele ano o Ministério da Justiça promoveu a 1ª Conferência Nacional de Arquivos – CNArq para discussão e proposição de diretrizes para elaboração da Política Nacional de Arquivos. Com a participação de representantes do poder público, da comunidade acadêmica, das associações profissionais e da sociedade civil organizada, a 1ª CNArq, ao final dos trabalhos, aprovou 18 propostas e 25 moções. No entanto, desde então nada foi efetivamente contemplado e não há perspectivas de uma nova edição da CNArq.

Internamente, o Arquivo Nacional enfrenta sérios problemas relacionados ao quadro de servidores como, por exemplo, a inexistência de concurso público para reposição de cargos e de um plano de carreira condizente com o mercado de trabalho. Entre outras reivindicações, o FNARQ aponta que é premente uma reestruturação administrativa do órgão, com a regionalização do Arquivo Nacional e o fortalecimento do papel da Coordenação Regional do Distrito Federal, avigorando ainda o SIGA. Defende também maior participação social no CONARQ, ampliando a representação da sociedade civil e a presença de mais segmentos ligados ao setor de arquivos, a fim de contemplar demandas não atendidas até então.

Acreditamos também que o Arquivo Nacional deve fortalecer sua contribuição na área cultural, bem como na área de pesquisa e produção de conhecimento, interagindo com as instituições de ensino e pesquisa. Ademais, esperamos que o Arquivo Nacional e o Ministério da Justiça coloquem em prática as propostas e moções aprovadas na 1ª Conferência Nacional de Arquivos. Dessa forma, reiteramos nossa preocupação com a nova gestão do Arquivo Nacional e manifestamos nossa expectativa de maior diálogo com os profissionais arquivistas e os demais profissionais que atuam nos arquivos, com os docentes dos cursos de Arquivologia, com a comunidade arquivística em geral. Entendemos ser esse o caminho para que a área se fortaleça, ganhe expressividade e consiga implantar as ações de integração e modernização que os arquivos públicos e privados brasileiros tanto necessitam.

24 de janeiro de 2016.

Membros do FNArq:

Associação dos Arquivistas da Bahia – AABA
Associação Brasiliense de Arquivologia – ABARQ
Associação dos Arquivistas do Estado do Paraná – AAPR
Associação dos Arquivistas do Estado do Rio Grande do Sul – AARS
Associação dos Arquivistas do Estado do Rio de Janeiro – AAERJ
Associação de Arquivologia do Estado de Goiás – AAG
Associação dos Arquivistas do Estado do Espírito Santo – AARQES
Associação de Arquivistas de São Paulo – ARQ-SP
Associação de Arquivistas do Estado do Ceará – ARQUIVE-CE
Associação Mineira de Arquivistas – AMARQ
Associação de Arquivistas do Estado de Santa Catarina – AAESC
Associação dos Arquivistas da Paraiba – AAPB

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Arquivo Nacional vai digitalizar documentos da Petrobras da época da ditadura

O Arquivo Nacional vai digitalizar, ao longo dos próximos três meses, a documentação da extinta Divisão de Informações (Divin) da Petrobras, recentemente entregue pela empresa estatal à custódia do órgão federal, vinculado ao Ministério da Justiça. O acervo cobre um período de 30 anos (1962-1992), englobando, portanto, os anos da ditadura militar (1964-1985), durante os quais a Divin era encarregada de fazer investigações políticas dos empregados da Petrobras. De acordo com edital publicado no último dia 5 no Diário Oficial da União, o acesso à documentação será liberado dentro de 30 dias.

Formado por documentos avulsos, encadernados e em microfilme, o acervo tem cerca de 132 mil itens. A lista abrange pareceres e relatórios de investigação sobre empregados da Petrobras, relação de funcionários demitidos, prontuários, relatórios de comissão de sindicância e fichas de controle de investigação político-social, incluindo dados sobre vinculação partidária e situação econômica.

O edital possibilita que, no decorrer do prazo, o titular de informações pessoais contidas no acervo da Divin apresente um requerimento dirigido ao diretor-geral do Arquivo Nacional, Jaime Antunes da Silva, solicitando a manutenção da restrição de acesso aos documentos que mencionam sua pessoa. Caso o titular das informações tenha falecido ou esteja ausente, caberá ao cônjuge, companheiro, descendentes ou ascendentes apresentar o requerimento. Segundo a assessoria de comunicação do Arquivo Nacional, quando terminar o prazo de 30 dias e concluído o processo de digitalização, os documentos serão publicados nos portais do Arquivo Nacional – www.arquivonacional.gov.br – e do Centro de Referência das Lutas Políticas no Brasil – Memórias Reveladas – www.memoriasreveladas.gov.br .

Ficarão abertos à consulta por parte de pesquisadores e outros interessados na atuação da extinta Divisão de Informações da Petrobras. Ainda de acordo com o Arquivo Nacional, a Petrobras é a primeira empresa estatal a disponibilizar o acervo de sua antiga divisão que investigava a vida dos funcionários. Outros órgãos federais, entre ministérios e autarquias, já disponibilizaram as informações de setores desse tipo que existiram durante o regime militar.

Fonte: Agência Brasil

I Seminário Internacional Documentar a Ditadura – arquivos da repressão e da resistência

barra-superiorO “I Seminário Internacional Documentar a Ditadura – arquivos da repressão e da resistência” será realizado nos dias 4, 5 e 6 de junho de 2013, no auditório principal do Arquivo Nacional, no Rio de Janeiro.

O Seminário reunirá pesquisadores e estudantes de diferentes nacionalidades, inseridos nos campos da história, das ciências sociais, da ciência política, do direito, do serviço social, da ciência da informação e a da arquivologia, entre outras áreas, interessados na temática dos acervos da ditadura militar no Brasil (1964-1985) e na América Latina, suas instituições e as formas de resistências da sociedade.

O ponto de convergência das diversas experiências apresentadas será marcado pelo debate em torno dos atos de documentar o regime ditatorial, isto é, sobre os documentos e arquivos criados pelas instituições militares e civis que serviam ao regime, bem como pelos movimentos sociais, grupos e indivíduos que resistiram naquele mesmo período.

As inscrições são gratuitas, mas as vagas são limitadas. Os interessados devem encaminhar o formulário de inscrição do evento, devidamente preenchido, para o e-mail pi@arquivonacional.gov.br e aguardar confirmação.

A abertura do evento ocorrerá no dia 4 de junho, 18:00 horas, com saudação do diretor-geral do Arquivo Nacional, Jaime Antunes da Silva. A conferência de abertura será proferida pelo ex-procurador-geral da República Cláudio Fonteles, membro da Comissão Nacional da Verdade.

No dia 6 de junho, serão feitas apresentações de comunicações científicas de pesquisadores graduados, pós-graduandos e pós-graduados. Os trabalhos devem ser submetidos para análise da comissão organizadora por intermédio do e-mail memoriasreveladas@arquivonacional.gov.br, de acordo as regras estabelecidas 1ª circular “Chamada de Trabalhados Seminário Documentar a Ditadura 2013”, que ficará disponível no endereço www.an.gov.br/documentaraditadura/

Serviço:
Seminário Internacional Documentar a Ditadura – arquivos da repressão e da resistência
Data: 4, 5 e 5 de junho de 2013
Abertura do evento: 18:00 horas, do dia 4 de junho de 2013
Local: Auditório principal do Arquivo Nacional, Praça da República, 173, Centro, Rio de Janeiro-RJ

Lançamento da publicação “Arquivo Nacional 1808-2012”

arquivonacionalA que época remonta o desejo de guardar a memória das práticas políticas e das relações econômicas e sociais? Como o Estado moderno centralizou os arquivos governamentais? Em que contexto foi criado, no Brasil, um arquivo para guardar e conservar os documentos que pudessem interessar à “história do país e à administração em seus diferentes ramos?”
Essas são algumas das questões contempladas no livro “Arquivo Nacional: 1808-2012”, que aborda a trajetória do Arquivo Nacional desde a década de 1830 até os dias atuais.
Em suas páginas o leitor encontrará a história da mais relevante instituição arquivística do país. De guardião de documentos das secretarias de Estado, no Império, a órgão central do Sistema de Gestão de Documentos de Arquivo (SIGA), da administração pública federal , são 174 anos nos quais o Arquivo Nacional ocupou diversas sedes, da rua da Guarda Velha, hoje Treze de Maio, à Praça da República, onde está instalado, desde 2004, no conjunto arquitetônico criado para abrigar a Casa da Moeda.
Nessa longa trajetória alguns momentos merecem destaque como a gestão de Joaquim Pires Machado Portela, de 1873 a 1898. No século XX distingue-se o historiador José Honório Rodrigues que, logo no início da sua administração (1958-1963), instaurou um elemento crítico na história do Arquivo Nacional ao publicar um diagnóstico no qual assinalava a necessidade de modernizá-lo. Também merece destaque a gestão de Raul Lima (1969-1980), que filiou a instituição ao Conselho Internacional de Arquivos e à Associação Latino-Americana de Arquivos, ciente da relevância da articulação com esses organismos internacionais. Lima criou ainda o Mensário do Arquivo Nacional que, por dez anos, foi um importante instrumento de difusão de atividades técnicas e administrativas.
A ideia de modernização do Arquivo Nacional, tão cara a José Honório e a Raul Lima, seria retomada nos anos 1980, quando Celina Vargas do Amaral Peixoto assume a direção da Casa. Já alçada a órgão autônomo da estrutura direta do Ministério da Justiça, a instituição é transferida da Praça da República, nº 26, para o edifício anexo ao conjunto arquitetônico que, por tantos anos, abrigara a Casa da Moeda. Ainda na gestão de Celina ocorreram a fundação da Associação Cultural do Arquivo Nacional (ACAN) e a criação da revista Acervo, em 1986. Vale salientar que, na sua administração, foram lançadas as sementes para o papel que o Arquivo Nacional assumiria na década seguinte.
Nos últimos vinte anos fica evidenciado o processo de modernização do Arquivo Nacional e a sua capacidade de se articular junto à administração pública, aos órgãos de fomento e a organismos como a Unesco. Graças a isso, foi possível restaurar e equipar o conjunto arquitetônico tombado, promover eventos de difusão – além das exposições, o Recine, Festival Internacional de Cinema de Arquivo -, a edição de livros, revistas e sítios eletrônicos, realizar o concurso de monografias Prêmio Arquivo Nacional de Pesquisa, capacitar os servidores e prestar assistência técnica no país e no exterior, entre tantas outras iniciativas. Também cabe registrar a reestruturação da unidade regional no Distrito Federal, a criação do Conselho Nacional de Arquivos (Conarq) e a integração da instituição aos organismos internacionais na área de arquivos.
Mais recentemente, o Arquivo Nacional vem, a partir do Sistema de Gestão de Documentos de Arquivo da Administração Pública Federal (SIGA), no qual atua como órgão central, coordenando, controlando, orientando e operando de maneira orgânica na gestão desses documentos .
Merece registro especial o empenho da instituição no recolhimento, guarda e acesso aos documentos produzidos pelos órgãos da administração federal no período do regime militar, notadamente aqueles provenientes das extintas unidades de segurança e informações integrantes do Sistema Nacional de Informações e Contrainformação (SISNI).
O livro “Arquivo Nacional: 1808-2012” tem 64 páginas, custo de R$15,00, e pode ser adquirido na sede da Instituição ou pelo endereço eletrônico: vendasdepublicacoes@arquivonacional.gov.br

Exposição Arquivos do Brasil, Memória do Mundo

O Arquivo Nacional realiza, de 26 de fevereiro a 7 de junho de 2013, em sua sede no Rio de Janeiro, exposição em homenagem aos 20 anos do Programa Memória do Mundo da UNESCO/Memory of the World – MOW e aos 5 anos de instalação do Comitê Nacional do Brasil do Programa Memória do Mundo.

O Programa foi instituído pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura – UNESCO com o propósito de preservar e facilitar o acesso ao patrimônio documental que integra a memória coletiva dos povos, estimulando a consciência mundial sobre a sua importância.

Entre os anos de 2007 e 2011, foram nominados cinquenta e cinco acervos brasileiros expressivos de uma enorme diversidade cronológica e de tipologias documentais, custodiados pelas mais diferentes instituições e assim distribuídos: 1 acervo na região Norte; 11 acervos na região Nordeste; 39 acervos na região Sudeste; 1 acervo na região Sul; e 3 acervos na região Centro-Oeste.

O filme Limite, de Mário Peixoto (Fundação Cinemateca Brasileira); a Lei Áurea (Arquivo Nacional); os manuscritos musicais de Carlos Gomes (Fundação Biblioteca Nacional); o diário de viagens do Imperador d. Pedro II pelo Brasil e pelo mundo (Museu Imperial) são alguns exemplos de acervos agora reconhecidos como Memória do Mundo.

A exposição tem como objetivo tornar conhecido o Programa Memória do Mundo da UNESCO e suas ações; difundir os cinquenta e cinco acervos brasileiros nominados no Programa Memória do Mundo; promover a consciência sobre a importância da preservação do patrimônio documental da humanidade; e incentivar a candidatura de novos acervos em diferentes regiões geográficas brasileiras.
A mostra, composta por cerca de 400 imagens, está dividida em módulos que tratam dos seguintes temas:

1. Programa Memória do Mundo da UNESCO/internacional, apresentando acervos nominados na categoria internacional.
2. Programa Memória do Mundo da UNESCO/América Latina e Caribe, com imagens dos acervos nominados na categoria regional.
3. Descobrimentos, sociedade colonial e Independência
4. Escravidão e movimento abolicionista
5. Imigração para o Brasil
6. Conflitos armados
7. Censura e repressão às lutas políticas no Brasil e na América do Sul
8. Povos indígenas e política indigenista
9. Literatura, cinema, música e tradições populares
10. História da ciência
11. Cartografia
12. Evolução urbana, arquitetura e urbanismo.

A exposição contará com monitores, folders sobre os acervos nominados e um catálogo.
São parceiros do Arquivo Nacional, neste projeto, a UNESCO e as instituições custodiadoras dos acervos nominados.

Contato

Arquivo Nacional
Praça da República, 173 – Centro
Rio de Janeiro – RJ
Tel.: (21) 2179-1349

Programa Memória do Mundo
http://www.arquivonacional.gov.br/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?sid=91
E-mail: memoriadomundo@arquivonacional.gov.br

Revista Acervo dedicada à difusão cultural em arquivos

A proposta deste número da revista Acervo, parte da constatação de que a difusão cultural não encontra ainda um sentido consensual, tendo maior ou menor alcance, ou mesmo nenhum nas diferentes instituições arquivísticas no país ou no exterior, não sendo também homogêneo o perfil dos profissionais nela envolvidos. De qualquer modo, é do interior dos arquivos, em suas áreas de pesquisa histórica, que emergem esses produtos, evidenciando o potencial dos acervos, fomentando o debate, convidando ao conhecimento diversificado de fundos e coleções por meio das curadorias, edições, artigos, práticas pedagógicas.

Buscando apontar os diferentes caminhos traçados por instituições arquivísticas nacionais e internacionais na direção de uma efetiva difusão cultural, o dossiê desse número é aberto pela entrevista de Ruth Roberts, conselheira acadêmica do National Archives do Reino Unido. Roberts comenta a diversidade e a amplitude das atividades lá desenvolvidas e como elas se relacionam com os seus diferentes públicos.

Segue-se o artigo ‘Do monopólio da escrita ao repertório ilimitado das fontes: um século de mutações da história’, de Krzysztof Pomian. Nele, o autor parte do século XIX, privilegiando o marco da École des Annales, seguindo um vetor que se distancia da hegemonia do documento escrito para uma determinada escrita da história e que amplia fontes e leituras, até a eclosão da história oral e visual, na perspectiva, ainda, dos “arquivos provocados”, a geração de fontes por parte de pesquisadores e o reconhecimento do tempo presente, da subjetividade e outros fatores.

A possibilidade de envolvimento do público em projetos de “história oral” é abordada em ‘Difusão cultural e educativa em arquivos’, da professora Rosimere Cabral que explora essa função menos reconhecida dos arquivos, vista em sua matriz social. Além de revisitar autores como Heloísa Belloto, ela recupera as experiências francesa e portuguesa em arquivos, propondo uma ação cultural que respeite a especificidade dessas instituições, atuando no ensino, estabelecendo novas fontes por indivíduos ativos e participantes desses projetos. A ação cultural é vista assim como tarefa dos arquivos, como afirmam Andresa Cristina Oliver Barbosa e Haike Roselane Kleber da Silva, para as quais “a difusão deve ser colocada entre as prioridades, uma vez que é através dela que o patrimônio documental se dá a conhecer à sociedade”. Os projetos educativos e editoriais desenvolvidos no Arquivo Público do Estado de São Paulo são apresentados por elas tendo como eixo a própria história dessas políticas, nos arquivos e fora deles, em compasso com as tendências historiográficas de maior influência.
Raphael Rajão Ribeiro e Michelle Márcia Cobra Torre, por sua vez, sinalizam a necessidade de se tratar a difusão cultural como uma categoria ampla, que engloba múltiplas ações que garantam a manutenção de canais de comunicação entre os arquivos e os seus públicos. Os autores enfatizam a numerosa presença de historiadores na equipe do Arquivo Público da Cidade de Belo Horizonte, o que contribuiu decisivamente para a aproximação entre as proposições da História como disciplina acadêmica e os projetos de ação educativa daquela instituição.

As experiências francesas no campo da difusão cultural em arquivos, matriz de muitas das atividades realizadas pelas nossas instituições congêneres, encerram o dossiê. Em seu texto, Annick Pegeon, responsável pelo Serviço Educativo dos Archives Nationales, aborda as primeiras ações nessa área, ainda nos anos 1950, com oficinas e visitas pedagógicas, até práticas mais recentes, incluindo a criação da disciplina “Arquivo”, com o objetivo de familiarizar jovens estudantes com o trabalho do historiador e a análise e crítica das fontes.

A seção Artigos Livres publica os textos Administração Joanina: o rei a governar do Rio de Janeiro, de Ana Canas Delgado Martins; O Controle de Vocabulário da Linguagem Orgânico-Funcional: concepção e princípios teórico-metodológicos, de Francisco Lopes Aguiar e Maria de Fatima Gonçalves Moreira Talámo; Além da Anedota: uma revisão da trajetória do governador Sebastião Francisco de Melo e Póvoas, de Fabiano Vilaça dos Santos; Organizando um Arquivo Histórico: o acervo do Tribunal de Justiça do Amazonas, de James Roberto Silva, Rita de Cassia Ferreira Machado, Natacha Oliveira Janes e Denize da Mota Souza.

Fechando a revista duas resenhas: em Os caminhos de um historiador, Renata William Santos Vale aponta como Guilherme Pereira das Neves em sua obra História, teoria, variações, realiza o que ela qualifica de um bravo exercício de fazer a história da História, ao pôr em prática nos seus escritos sobre o pensamento luso-brasileiro entre os séculos XVIII e XIX, as teorias da história em debate nas últimas décadas. Cabe à Teresa Palazzo Schmitt Filardo e Gilda Boruchovitch resenhar Relatos da Presidência: porta-vozes contam história e constroem memória, de André Singer, Mário Hélio Gomes, Carlos Villanova e Jorge Duarte. Conforme as autoras trata-se de uma obra que instiga a curiosidade, proporciona a reflexão sobre a política nacional e sobre a relação da imprensa com o poder, desvelando a relevância do jornalismo para a sociedade.

A publicação desse dossiê da Acervo reforça o sentido dos arquivos – afinal, mais que um lugar de memória, são um lugar da história –, iluminando o fato de que a produção de exposições, sítios eletrônicos, livros de arte, as atividades de difusão de modo geral, longe de serem ações esporádicas, constituem formas potentes de reflexão, expressando uma vertente que, cada vez menos, é estranha a instituições dessa natureza.

A versão impressa da revista será lançada no final de novembro.

V Seminário “A Preservação da Herança Audiovisual”

Em comemoração ao dia mundial da preservação da herança audiovisual o Arquivo Nacional promove seminário reunindo especialistas de diversas instituições brasileiras.

Programação

29/10 – Segunda-feira

09:30 às 12:00 – Debate sobre formação profissional em preservação audiovisual

Abertura: Jaime Antunes da Silva (Diretor-geral do Arquivo Nacional)

Mediador: Marcelo Nogueira de Siqueira (Coordenador de Documentos Audiovisuais e Cartográficos do Arquivo Nacional)

Sergio Albite (Professor de Arquivologia da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro- UniRio)

Rafael de Luna (Professor de Cinema e Audiovisual da Universidade Federal Fluminense – UFF)

Hernani Heffner (Membro da Associação Brasileira de Preservação Audiovisual – ABPA e do Centro de Pesquisadores do Cinema Brasileiro)

14:30 às 17:00 – Exibição do filme O homem que virou suco, de João Batista de Andrade

Após a exibição haverá palestras sobre a restauração dos filmes “O Homem que Virou Suco” e “A Hora da Estrela”

Myrna Brandão – (presidente do Centro de Pesquisadores do Cinema Brasileiro – CPCB)

Francisco Moreira – (coordenador do Departamento de Restauração de Matrizes do Labocine)

30/10 – Terça-Feira

09:30 às 12:00 – Debate sobre preservação e conservação de imagens em movimento

Mediador – Carlos Fabio (Especialista da Coordenação de Documentos Audiovisuais e Cartográficos do Arquivo Nacional)

Francisco Moreira (Coordenador do Departamento de Restauração de Matrizes do Labocine)

Antonio Laurindo (Supervisor da Equipe de Imagens em Movimento da Coordenação de Arquivos Audiovisuais e Cartográficos do Arquivo Nacional)

Carlos Brandão (Representante do Centro de Pesquisadores do Cinema Brasileiro – CPCB)

14:30 às 17:00 – Exibição do filme A hora da estrela, de Suzana Amaral e Alfredo Oroz

Antes da exibição haverá uma homenagem ao Centro de Pesquisadores do Cinema Brasileiro, representado por sua presidente, Myrna Brandão

Serão fornecidos certificados de participação, totalizando 10 horas de atividades.

Local: Arquivo Nacional (auditório principal): Praça da República, 173 – Centro – Rio de Janeiro
Informações: 2179-1273 – pi@arquivonacional.gov.br; ascom@arquivonacional.gov.br

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