“Revolta dos Búzios 219 anos – uma história de Igualdade”

Também conhecida como Inconfidência Baiana, Revolta dos Alfaiates ou Conjuração Baiana, a Revolta dos Búzios aconteceu em 1798 na capitania da Bahia para se libertar da Coroa Portuguesa. O movimento teve caráter popular e também defendia o fim da escravidão, um governo republicano e democrático, livre comércio e abertura dos portos.

A revolta ficou assim conhecida pelo fato de alguns revoltosos usarem um búzio preso a uma pulseira para facilitar a identificação. Na quinta-feira (10), o Arquivo Público do Estado da Bahia realizará o Conversando com o Pesquisador com o tema “Revolta dos Búzios 219 anos – uma história de Igualdade”.

A atividade começará às 14h30, no auditório da unidade que é vinculada à Fundação Pedro Calmon/SecultBA, na Ladeira de Quintas, e será ministrada pelo Mestre em Direito Público pela Universidade de Brasília, presidente do Olodum, produtor cultural, poeta, escritor e colunista do jornal A Tarde, João Jorge Rodrigues.

Durante o evento, acontecerá o lançamento do conjunto documental “Revolta dos Búzios” online no AtoM do Arquivo Público do Estado da Bahia.

Penitenciaria Apostólica abre seu arquivo histórico

Cidade do Vaticano (RV) – O Arquivo Histórico da Penitenciaria Apostólica será aberto para a consulta de estudiosos, no âmbito de um dia de estudos promovido por este organismo, sexta-feira, 18. A Penitenciaria é o mais antigo dicastério vaticano e o primeiro dos Tribunais da Cúria Romana.

Os estudos serão presididos pelo Cardeal Raffaele Farina, Arquivista e Bibliotecário da Santa Romana Igreja, e terão a participação, entre outros, do Cardeal Fortunato Baldelli, Penitencieiro-mór, e dos bispos Gianfranco Girotti, Diretor da Penitenciaria, e Sergio Pagano, Prefeito do Arquivo Secreto Vaticano.

A abertura vai permitir pela primeira vez a consulta de uma documentação mantida secreta desde 1974 e que pode fornecer uma contribuição importante nos campos da história social e jurídica: são 745 registros encadernados em couro, datados de 1409 a 1890, e 1.065 volumes em latim, contidos em 413 caixas.

Além disso, há mais de 70 registros com pedidos de dispensa para pessoas pobres, principalmente impedimentos de matrimônios entre parentes de até o 4º grau e justificações de contas, como entradas e saídas.

O Arquivo admitirá a consulta de estudiosos e pesquisadores qualificados, sem distinção de país ou crença religiosa, provenientes de universidades, institutos de estudos superiores, centros de pesquisa de caráter científico sobre a história da Igreja e da cultura.

Naturalmente, serão disponibilizados apenas os documentos do chamado ‘Foro externo’, ou seja, o âmbito relativo à utilidade geral e as relações públicas entre os fiéis e com as autoridades, enquanto permanece absolutamente reservado o que concerne ao ‘Foro interno’, isto é, os casos de consciência.
(CM)

Fonte: Rádio Vaticano

Arquivo digital resgata cotidiano da Primeira Guerra Mundial

Com a proximidade do centenário do início da Primeira Guerra Mundial, projeto europeu vai resgatar na internet o dia-a-dia de quem vivenciou o conflito. Uma exposição itinerante acompanha o projeto.

Em junho de 2014, completará um século a invasão da Sérvia pelas forças do Império Austro-Húngaro, evento que desencadeou a Primeira Guerra Mundial. Durante os quatro anos de conflito que se seguiram, uma média de 8 mil vidas foram perdidas a cada dia.    Para marcar o centenário e homenagear milhares de famílias afetadas pela guerra, a Universidade de Oxford e a Europeana, que reúne o patrimônio cultural e científico europeu num arquivo digital multilíngue – inclusive em português –, trabalham no projeto que vai contar a história da Primeira Guerra por meio de documentos cotidianos.   A ideia é recriar um cenário confiável que mostre como era a vida do cidadão comum que viveu e lutou naquele confronto. Por meio de fotos de família, cartas e diários, os organizadores planejam formar um grande arquivo que traz histórias inéditas vividas em fronts de guerra em todo o mundo.   O arquivo será uma fonte livre de pesquisa não apenas para historiadores, mas ajudará futuras gerações a entender o conflito e o pensamento coletivo daquela sociedade que viveu os horrores da guerra entre 1914 e 1918.   “O principal objetivo do projeto é lançar um olhar sobre a tragédia da guerra e seus efeitos nos familiares”, disse à Deutsche Welle Everett Sharp, historiador militar da Universidade de Oxford. “O que me impressiona é que, em 1915, tanto os soldados britânicos como alemães mandavam cartas do front para casa que diziam ‘eu espero que essa guerra acabe logo.'”  

Das sombras  

Mas o fim não estava próximo. Seriam necessários mais três anos até que as armas fossem abandonadas, que 16 milhões de pessoas fossem mortas e 21 milhões feridas, e famílias inteiras fossem dissipadas por toda a Europa.   Para Frank Drauschke, historiador da empresa de pesquisa berlinense Facts & Files, o fato foi praticamente esquecido, pelo menos na Alemanha e apesar de toda a tragédia e miséria que trouxe. “A Segunda Guerra Mundial e o sofrimento que trouxe de todas as maneiras possíveis foram tão grandes, que a amargura da Primeira Guerra foi ofuscada”, argumenta Drauschke.   O projeto Europeana, que é financiado pela Comissão Europeia e já está parcialmente acessível, quer muda esse cenário. Uma equipe de especialistas está atualmente na Alemanha convidando residentes a se manifestarem e compartilharem qualquer tipo de suvenir que possam ter daquela época.   Até o momento, a repercussão tem sido grande, fato que Drauschke atribui à vontade que as pessoas têm de mostrar seus tesouros familiares. “Quando você pede para as pessoas trazerem seus objetos para um projeto como esse, elas se sentem como se, finalmente, estivessem sendo reconhecidas. Eles se sentem como se estivessem contribuindo, em vez de deixaram os objetos esquecidos no sótão.”  

Para eternidade  

Para historiadores, o dito sótão é um lugar perturbador. No melhor dos casos, os documentos guardados nesse ambiente acumulam poeira. No pior, eles têm um destino cruel durante uma faxina. O arquivo digital espera encorajar as pessoas a resgatarem tais documentos e apresentá-los ao resto do mundo, seja disponibilizando-os na internet ou levando-os para uma exibição itinerante.   Jon Purday, porta-voz da Europeana, diz que o projeto pode ajudar as pessoas a entenderem mais sobre suas próprias famílias. Exposições itinerantes já aconteceram no Reino Unido e agora serão levadas para França, Bélgica, Polônia, Países Bálticos, Bálcãs, Áustria e Itália.   “As pessoas trazem objetos e dizem ‘eu acho que este era meu bisavô, mas não sei onde ele estava e o que ele fazia,’ e nossos historiadores podem olhar para a evidência e dizer ‘nós sabemos que ele era um oficial de infantaria e que esse capacete significa tal e tal coisa’ , então as pessoas vão embora sabendo muito mais, e se sentindo felizes por isso”, explicou Purday à Deutsche Welle.

 Uma nova abordagem  

Ao encorajar as pessoas a contribuírem com material privado para arquivos públicos, uma nova perspectiva da guerra vem à tona. Essa contribuição dá um tom mais pessoal e ao mesmo tempo mais extenso ao conflito, chegando a níveis que livros simplesmente não alcançam.   “Livros sempre usam as mesmas fotografias, mas quando você reconta uma história por meio de um relato pessoal, isso atinge muito mais as pessoas. Esse é o motivo pelo qual eu quis oferecer o que eu tenho, eu vez de mantê-lo na minha gaveta”, diz Guido Papperitz, colaborador da Europeana.   Os organizadores planejam completar o arquivo até 2014. Além de material privado, poderão ser acessados documentos oficiais incluindo jornais e arquivos da guerra que estão sendo digitalizados por bibliotecas nacionais em toda a Europa como parte do projeto.   “Usuários poderão explorar rotas diferentes e visualizar os documentos sob diferentes pontos de vista. Isso funciona se você puder cruzar a fronteira entre o público e o profissional e entre os diferentes países”, comenta Purday.   Diferentes nações significam línguas diversas. Enquanto a equipe não tiver capacidade para traduzir os documentos, a esperança é que uma comunidade de usuários se forme em torno do arquivo e que se ofereça para transcrevê-lo. Uma vez transcritos, os documentos poderão ser acessados e traduzidos através de ferramentas de tradução.  

Autora: Tamsin Walker (np)
Revisão: Carlos Albuquerque

Fonte: DW-World.DE

Fundação Nelson Mandela e Google digitalizam arquivos históricos

O Google vai colaborar com a Fundação Nelson Mandela para digitalizar os milhares de documentos do arquivo do primeiro presidente negro da África do Sul, anunciou nesta terça-feira a fundação.

A empresa fornecerá US$ 1,25 milhão para deixar acessível na rede milhares de documentos, fotografias e material audiovisual sobre a vida e a trajetória de Nelson Mandela. A doação do maior buscador da internet permitirá o acesso de estudantes e pesquisadores no mundo todo à base de dados do Centro da Fundação Nelson Mandela, com sede em Johanesburgo, para a difusão de seu legado e a promoção da justiça social, segundo a instituição sul-africana.

O arquivo multimídia inclui correspondência do líder com família, amigos e companheiros de luta contra o apartheid, além dos diários escritos durante sua prisão e notas pessoais sobre a negociação política que terminou com o regime de segregação racial na África do Sul.

A fundação Nelson Mandela anunciou, além disso, que o Google realizou uma doação similar ao Centro para a Paz de Desmond Tutu, na Cidade do Cabo, para a digitalização dos arquivos do arcebispo Tutu, destacado ativista contra o apartheid, e o desenvolvimento de uma ferramenta de educação interativa para esta instituição.

Para conhecer mais sobre a Fundação Nelson Mandela, basta acessar o site: 

Fundação Nelson Mandela

Portal Português de Arquivos

Texto publicado no site da Revista de História da Biblioteca Nacional:

A criação de um instrumento de pesquisa coletivo, integrando os arquivos públicos portugueses, em muito facilita a recuperação de documentação a respeito da história do Brasil.

 

 

Renato Venâncio

Os portugueses deram um presente aos historiadores brasileiros. Trata-se da criação do Portal Português de Arquivos. Como o próprio nome indica, esse portal funciona como um catálogo coletivo de acervos arquivísticos, permitindo buscas simultâneas em 18 instituições.

Neste universo, o Arquivo Nacional da Torre do Tombo dispõe do banco de dados com maior número de registros a respeito da história do Brasil: atualmente, cerca de 1400 documentos, deste inestimável acervo, podem ser lidos integralmente.

Um procedimento de pesquisa interessante consiste em clicar no item “busca avançada” e efetuar a pesquisa pelo campo “Âmbito e conteúdo”. No campo “Recuperar registros”, escolha a opção “Registros com imagens”. A busca a partir da palavra “tratado”, por exemplo, resulta em cópias digitais dos principais documentos diplomáticos portugueses, muitos deles dizendo respeito diretamente à história do Brasil, como é o caso do Tratado de Tordesilhas. Também é possível consultar o original da “Carta de Pêro Vaz de Caminha”.

Outra opção de pesquisa consiste em escolher um enfoque regional. Digite a expressão “Rio de Janeiro” no campo “Âmbito e conteúdo” e, novamente, no campo “Recuperar registros”, escolha a opção “Registros com imagens”.  Já estão disponíveis, em formato digital, 555 valiosos documentos a  respeito da história carioca, como são os casos dos processos, denúncias, inquirições e correspondências inquisitoriais.

Outras instituições arquivísticas portuguesas também guardam preciosidades. No Porto, por exemplo, há documentos de identidade do século XX, de quem estava de partida para o Novo Mundo, assim como registros paroquiais do século XVII, que reproduzem óbitos ocorridos em territórios ultramarinos.

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