Arquivos de Foucault catalogados como “tesouro nacional” da França

A decisão, anunciada no Diário Oficial, proíbe a exportação das 37.000 folhas de seu arquivo pessoal, assim como sua venda ao exterior

Paris – A França decidiu catalogar como “tesouro nacional” os arquivos do filósofo Michel Foucault, crítico de instituições como a psiquiatria e o sistema penitenciário e um dos autores mais citados do mundo.

A decisão, anunciada no Diário Oficial, proíbe a exportação das 37.000 folhas de seu arquivo pessoal, assim como sua venda ao exterior.

A direção da Comissão Consultiva de Tesouros Nacionais, ligada ao ministério da Cultura, precisou que os manuscritos cobrem 40 anos do trabalho de Foucault, desde seus estudos de filosofia na Escola Normal Superior de Paris, a partir de 1946, até sua morte, em 1984.

“São únicos para a compreensão e o estudo da obra de Michel Foucault”, acrescentou.

Esse material, “de uma grande riqueza”, inclui notas de leitura, com frases que constroem sua reflexão, como no processo de elaboração do livro “As Palavras e as Coisas”, além de seus planos de aula e das conferências que marcaram sua intensa atividade de professor, explicou a fonte.

Figuram, também, manuscritos sobre as obras de exposição de sua filosofia, entre eles, o original de “As confissões da Carne”, último tomo de “História da Sexualidade”, com publicação escalonada entre 1976 e 1984.

Em um decreto de 28 de março passado, o ministério da Cultura impediu a exportação de arquivos de Michel Foucault por serem de “extraordinária riqueza e de suma importância para o estudo de sua obra”.

“(Esses arquivos) permitem compreender as modalidades que elaboraram sua reflexão e constroem a evolução de seu pensamento, muito ligado à sua vida e militância”.

O ministério da Cultura informou à AFP que o decreto é “medida preventiva” para impedir a venda desses documentos ao exterior e facilitar o patrocínio, mediante uma isenção de impostos.

“A Biblioteca Nacional espera adquirir esses documentos durante o jantar anual de mecenato, no dia 11 de junho”, declarou a porta-voz, Claudine Hermabessières.

Já em 2009, o Estado francês chegou a evitar o traslado dos arquivos do escritor e filósofo, fundador da Internacional Situacionista, Guy Debord (1931-1994), a uma universidade americana, catalogando-os como Tesouro Nacional.

Também um autorretrato “a crayon” do poeta e dramaturgo Antonin Artaud, arrematado no dia 5 de abril por 2,13 milhões de euros num leilão da casa Sotheby”s de Paris, foi catalogado tesouro nacional.

Fonte: Exame.com

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