Acervo documental em papel sofre deterioração na Bahia

Com aproximadamente 5,5 mil livros raros, cerca de 60 mil valiosos e mais de três mil títulos de revistas e jornais extintos e correntes, a BibliotecaPública do Estado da Bahia, mais conhecida como Biblioteca Central ou Biblioteca dos Barris, tem um importante acervo para a pesquisa sobre a história baiana e brasileira.

Toda esta riqueza documental, porém, está mantida apenas nos originais e cópias em papel ou tecido, que sofrem com a açãodo tempo. Alguns exemplares já têm o “corpo” atacado por traças e  mofo.

“Uma parte do acervo precisa de restauro, mas fazemos aqui pequenos reparos, pois não temos laboratório próprio”, explica a diretorada biblioteca, Kilma Alves. A equipe  mantém o acervo 24 horas refrigerado e as publicações são limpas periodicamente. Algumas coleções mais fragilizadas, no entanto, estão disponíveis    apenas para pesquisadores cadastrados, a fim de evitar o excesso de manuseio, que contribui para a deterioração. “Além disso, as obras só são folheadas com o uso de luvas e máscaras”, enfatiza a subgerente de livros raros e valiosos, Célia Mattos.

Digitalização  – Apesar do cuidado, há um consenso entre a equipe da biblioteca sobre a necessidade de digitalizar o acervo, a fim de preservá-lo e ampliar o acesso às publicações.

De acordo com a coordenadora do curso de arquivologia da Ufba e mestre em ciência da informação, Aurora Freixo, a digitalização é um caminho sem volta, mas a Bahia está atrasada neste processo. “Temos conhecimento técnico e mão de obra preparada, mas faltam investimentos do poder público”. Segundo a Fundação Pedro Calmon (FPC), órgão responsável pelas bibliotecas públicas do Estado, a digitalização já foi iniciada no Arquivo Público do Estado, priorizando documentos originais, e chegará ao acervo da Biblioteca dos Barris e de outras instituições. Em nota, a FPC diz que máquinas especializadas foram adquiridas e funcionários receberam treinamento, mas que o projeto ainda está “na fase de captação de recursos  financeiros”.

Primeiro passo – Por meio de uma parceria com o Ministério da Cultura, a FPC lançou ontem a coleção digitalizada do Catálogo de Fontes Manuscritos ‘Avulsos’ da Capitania da Bahia, com documentos de 1604 a 1828 do período colonial brasileiro. Os dois CD-Rom com o material – trazido do Arquivo Histórico Ultramarinho de Portugal –  estão disponíveis no Arquivo Público e podem ser adquiridos no local.

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