Instituto ACM será inaugurado nesta terça

As múltiplas referências que marcaram a vida pessoal e política de Antonio Carlos Magalhães (1927-2007), que foi governador da Bahia por três vezes, senador, ministro das Comunicações, entre outros cargos, ao longo de cinco décadas de vida política, ganhará abrigo permanente amanhã, com a abertura do Instituto Antonio Carlos Magalhães de Ação, Cidadania e Memória (IACM), no Terreiro de Jesus, Pelourinho.

Livros, presentes, quadros, recortes de jornais que compuseram a história de ACM estarão disponíveis ao  público, após a conclusão de um trabalho de seleção comandado pela museóloga Ângela Petitinga, que optou por diversificar a seleção dos 180 objetos da exposição. “ACM preconizava o respeito à diversidade da Bahia e isso está sendo representado no Instituto, onde haverá espaço de objetos católicos aos de candomblé, por exemplo. Foram analisados aproximadamente mil itens entre quadros, charges, medalhas, esculturas e demais presentes que ACM recebeu de autoridades ou do povo em geral”, destaca a museóloga responsável por organizar o acervo.

Formação
O presidente da Rede Bahia, o ex-senador e filho primogênito de ACM, Antonio Carlos  Júnior, lembra que o instituto não é apenas um museu para perpetuar a memória de  ACM. “O instituto servirá para desenvolver talentos na gestão pública e privada. A ideia é desenvolver pessoas e ter a oportunidade de lançar novos talentos”, destacou o ex-senador, lembrando que o IACM vai desenvolver cursos e projetos em parceria com escolas, universidades e empresas, com o objetivo de formar gestores públicos.

Visando tornar-se referência nacional no desenvolvimento de projetos de capacitação de jovens e adultos para atuar na vida pública e na iniciativa privada, o IACM será um centro de incentivo e difusão da cultura baiana. “O senador ACM conviveu com várias etapas da história da Bahia e sua própria história se confunde com a do estado”, destacou o ex- senador, lembrando que o Instituto tem a missão de contribuir com o desenvolvimento do Estado Democrático de Direito.

O sócio-administrador da Rede Bahia, Luís Eduardo Magalhães Filho, neto de ACM, compartilha desta perspectiva. “Espero que o Instituto ACM sirva como instrumento para muitos jovens com espírito público aguçado e dessa forma possa contribuir para a formação de futuros homens públicos que vão escrever a história de nossa querida Bahia. Concomitante a isso, possa contribuir para perpetuar a imagem do homem que tanto prezou pela formação de bons gestores e ajudou a transformar nosso estado: meu querido avô ACM”, disse.

Livros e jornais
Só de medalhas e condecorações recebidas por ACM ao longo da vida, foram analisadas mais de 100 peças pela equipe de museologia que preparou o acervo, entre homenagens da Aeronáutica, Marinha e Academia Baiana de Letras, segundo explica Ângela.

Além dos objetos pessoais, o instituto contará também com uma biblioteca. “Serão 1.581 livros, todos do acervo pessoal do senador. A maioria tem dedicatórias dos autores em português, inglês e francês”, explica a bibliotecária Jaqueline Cerqueira.

Um dos autores preferidos do senador, Jorge Amado (1912-2001) presenteou ACM com vários livros. Num deles, que está no Instituto, Navegação de Cabotagem, Jorge escreveu para ACM e sua esposa, Arlette Magalhães: “Para Arlette e Antonio, este Navegação de Cabotagem com o velho coração cansado”.
 
Recortes de jornais de 1967 até 1999 também estarão disponíveis para consulta no IACM. Nos arquivos constam as memórias dos atos políticos mais importantes da vida de ACM com declarações polêmicas regidas pelo afeto que o senador nutria pela Bahia. 

Em um dos jornais, de 16 de março de 1991, que repercutia a sua posse para o terceiro mandato como governador, ACM evidenciava sua personalidade forte. “Estou aqui mais feliz do que em qualquer momento porque recebo o governo do povo, não do meu antecessor cujas mãos estão sujas com o dinheiro público (…) Essa terra, como disse, é a razão da minha vida”.

FOTOGRAFIAS
Os encontros de ACM com personalidades políticas nacionais e internacionais estão representados no Instituto através de 25 fotografias em preto e branco que compõem um painel de memórias.

Entre elas, há retratos de família, com seus filhos, sua mulher, com chefes de Estado – Fidel Castro, de Cuba; Carlos Menem, da Argentina; Bill Clinton, ex-presidente dos EUA – e artistas como Gilberto Gil, a ex-miss Brasil baiana, Martha Rocha, e o papa João Paulo II.

Instituto ocupará andar em casarão do século XVII
O Instituto Antonio Carlos Magalhães de Ação, Cidadania e Memória (IACM) vai ocupar todo o primeiro andar de um casarão erguido no século XVII, localizado no Terreiro de Jesus, no Pelourinho – um dos lugares favoritos do senador na cidade. O edifício foi totalmente reformado na década de 90 pela empresária Maria das Dores Sena, mas com a preocupação de manter nele todas as características arquitetônicas da época.

“Fizemos a reforma durante seis anos, no período em que ACM estava revitalizando o Pelourinho. Hoje, por coincidência, o instituto dele está ocupando um andar no prédio”, explica  Maria das Dores. De acordo com o ex-senador Antonio Carlos Júnior, a escolha do Pelourinho faz jus à memória do senador. “Ele amava o Pelourinho e tinha um carinho especial por aquele espaço. Nada mais justo do que colocar o instituto no lugar onde ele tanto se dedicou”, explicou. Projetado pela arquiteta Cristina Calumby, o espaço do IACM estará dividido em duas salas de exposição para os objetos e a biblioteca. As salas têm predominância de vitrines de exposição claras que dão ao ambiente mais luminosidade e facilitam a observação das peças.

Outras informações através do Site Oficial do Instituto ACM:

IACM

Fonte:   *Correio

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