“A cor da pele: na sociedade racista do Brasil, o normal é ser branco”

Promotor de Justiça Almiro Sena lança “A cor da pele: na sociedade racista do Brasil, o normal é ser branco”

Salvador/BA, novembro de 2010 – Somos ou não racistas? Apesar de pesquisas, estatísticas, dados, gráficos, trabalhos empíricos, casos observados, enfim, vários instrumentos que comprovam as injustiças produzidas pelo racismo no país, há quem diga que não… E é contra esse discurso de negação do preconceito e da discriminação racial no Brasil que o promotor de Justiça do Ministério Público da Bahia, Almiro Sena, coordenador do Centro de Estudos e Aperfeiçoamento Funcional (CEAF) e titular da Promotoria de Combate ao Racismo do MPE se insurge, lançando o livro “A cor da pele: na sociedade racista do Brasil, o normal é ser branco”.

O livro será lançado no dia 23, às 19h, no Salão Nobre da Câmara Municipal de Salvador, após a palestra “Os Direitos Humanos sob a perspectiva étnico-racial, proferida no plenário da Câmara Municipal em homenagem ao Dia da Consciência Negra. A obra é contundente nas constatações do autor de que a cor da pele influencia na existência da exclusão social e de que a teoria da superioridade de certas raças humanas sobre as demais é uma realidade prejudicial ao desenvolvimento da população negra do Brasil. “O discurso da negação do preconceito e da discriminação racial contribui para reforçar sua existência e impossibilita sua desconstrução ideológica entre o grupo discriminador, além de facilitar a sua reprodução no grupo discriminado e dificultar a implementação de medidas de promoção da igualdade”, afirma o promotor Almiro Sena.  

“A cor da pele” foi extraído da tese de dissertação de Sena para o mestrado em Desenvolvimento Humano e Responsabilidade Social da Fundação Visconde de Cairu e aborda os conceitos fundamentais para o debate acadêmico sobre o desenvolvimento humano e a questão étnico-racial; a ocultação das barreiras institucionais contra a população negra no Brasil; a condescendência da legislação brasileira com o racismo no país;  o sistema de cotas e a meritocracia brasileira; a  especificidade do racismo no Brasil; e  o racismo e sua relação com o sistema de justiça criminal no país.

Segundo Sena, uma especificidade do racismo no Brasil que dificulta o seu combate e a sua desconstrução é o fato de que, muitas vezes, a sua prática ocorre de maneira velada, quase imperceptível para aqueles que não se encontrando entre os discriminados não conseguem (ou não querem) ver a agressão. Em sua obra, ele aborda a estética racista, o racismo na televisão, no futebol; trata da falácia da argumentação anti-cotas e cita casos de racismo praticado pelo sistema judicial criminal e pela imprensa, como “O crime do bar Bodega”, relatado pelo jornalista Carlos Dorneles, no livro “Bar Bodega, um crime de imprensa”.

O autor propõe também dialogar com brancos, negros e mestiços que, mesmo não tendo participação ativa nos movimentos sociais, ocupem espaços importantes do poder político e econômico do país. Almiro quer dizer que o racismo é elemento estruturante da sociedade brasileira e que não há como superar a sua herança racista – afinal foram mais de três séculos e meio de escravismo – sem, primeiro, admitir a sua existência. “Assim, impõe-se avançar no discurso de que “não somos racistas” para um debate que aprofunde o estudo da questão étnico-racial e sua importância para o desenvolvimento humano da população brasileira”.

O livro “A cor da pele” pode ser útil como um indicativo para formulação de políticas públicas que contribuam efetivamente para o desenvolvimento humano das pessoas agredidas pelo preconceito e pela discriminação racial, bem como para o estudo da sociedade brasileira, considerando a importância da questão étnico-racial no Brasil.

Almiro de Sena Soares Filho – Promotor de Justiça do Ministério Público da Bahia, coordenador do Centro de Estudos e Aperfeiçoamento Funcional (CEAF) e titular da Promotoria de Combate ao Racismo do MPE. Mestre em Desenvolvimento Humano e Responsabilidade Social pela Faculdade Visconde de Cairu em Salvador/BA. Especialista em Políticas e Gestão em Segurança Pública pela Universidade Federal da Bahia (UFBA). Especialista em Gestão Estratégica em Segurança Pública pela Universidade Estadual da Bahia (UNEB) e Academia da Polícia Militar da Bahia. 

LANÇAMENTO

Livro “A cor da pele: na sociedade racista do Brasil, o normal é ser branco”

Data: 23/11/10
Horário: 19h
Local: Salão Nobre da Câmara Municipal de Salvador

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3 Responses to “A cor da pele: na sociedade racista do Brasil, o normal é ser branco”

  1. Adélia says:

    Gostaria de parabenizar o Dr. Almiro de Sena. Ontem eu assistir na record news uma entrevista dele com Paulo Henrique Amorim, e fiquei encantada ao ver defendendo aquilo que ele acredita. (Racismo) Vou comprar este livro pois estou anciosa para ler.

    Parabéns!! virei fã numero 01

  2. Gostaria de saber onde posso adqurir o livro do Dr. Almiro Sena, A Cor da Pele. Estive nas principais livrarias da cidade e não encontrei livrarias.

  3. Fernando Garcia says:

    Nos esportes de massa; nas fábricas, nos estádios; nas universidades (pricipalmente no Nordeste e Norte) nas demais escolas de todos os níveis, nas ruas, veem-se uma multidão de pretos, mulatos, mestiços… E poucos galeguinhos de olhos azuis.
    Se há racismo é dos menos escuros para os mais escuros.
    Suponho que este senhor deva ser negro e como tal suspeito para falar de racismo.
    O que esses movimentos negros desejam é açular o racismo isto sim…
    O que desejam é passar por cima de direitos ou por oportunismo ou por se aceitarem como preguiçosos ou aleijões intelectuais. Muitos há dessa etnia que, por consciência de negritude abominan essa esmola de quotas
    Insisto, racismo há entre os negros mesmos, mesmo.

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